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Sir Dedicado de Böer

Havia um cavaleiro, um homem nobre e dedicado ao seus deveres, e apenas a eles. Seu nome era Sir Dedicado de Böer. Depois de ter sido nomeado, nunca mais tomara aulas de espada ou de montaria. Nem mesmo dedicava-se as suas esculturas, algo que ele tanto amava fazer antes de ser emancipado pelo rei.Durante os combates em terras hostis, Sir Böer viu-se obrigado a combater lado a lado com um nativo, seu nome era Tupannambi, seu nome significava filhote do pássaro que voa alto. Sentia-se estranho ao combater junto com um estranho.
Essa estranha união dos dois logo começou a dar resultados. Em combate Tupan complementava as habilidades que Dedicado não dominava, que por sua vez retribuía da mesma forma para com o índio.Após um grande campanha, seguiram então caminhos diferentes. O cavaleiro partiu com uma pergunta inquietante ecoando dentro de si. Lembrando-se das batalhas, na verdade do período entre elas. Enquanto ele descansava, seu companheiro de armas permanecia em atividade, sempre aperfeiçoando suas técnicas, caçando, rezando em ritos em línguas que nem mesmo o letrado cavaleiro compreendia. Embora já houvesse conquistado mais terras que nenhum outro, e estivesse a frente de qualquer outro cavaleiro de sua idade, não mais aprimorava suas técnicas, enquanto o Tupannambi lutava durante e entre as batalhas para se tornar algo melhor.Muito tempo se passou e novamente os caminhos dos dois se cruzaram, após todo aquele tempo um tinha aprendido a admirar e respeitar profundamente um ao outro. Devido a esse fato forjaram uma aliança. Suas forças unidas não poderiam ser medidas por nenhum outro em combate.
Muita coisa porém, havia mudado. De fato para melhor. O cavaleiro incorporara muito do empenho, da insistência do índio. Enquanto por sua vez, Tupã aprendera toda a técnica de Sir de Böer. Os dois estavam destinados para sempre a lembrar, um ao outro, de tudo que haviam aprendido juntos, de que não mais podiam ser como antes. Acima de tudo, de que épocas de fartura e prosperidade estavam por vir...
11:21 AM
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Alienação Digital
Por Kaneda_EX

Escrevo enquanto tento me recuperar, estou relegado e deixado em segundo plano por um sistema inescrupuloso e ardil.

Numa tarde de terça-feira, durante a tentativa de realizar alguns testes de uma nova ferramenta desenvolvida para contagem de pessoas na estrutura da empresa, em um desses grandes momentos de coragem, o sistema acusa que minha senha está bloqueada. Logo que possuo o conhecimento mas não a permissão para realizar a minha liberação dentro da ferramenta, entro em contato com o mais desesperado recurso disponível, a equipe de suporte ou popularmente conhecida sob o jargão gringo de help desk.

Entre dúzias de e-mails e telefonemas eles realmente me ajudam. Estranho? Não realmente, para aqueles que já tiveram algum contato com esse serviço já devem ter dito a si mesmos: "Eles o ajudaram a descobrir que seu problema na verdade eram bem mais de um único." Algo bem típico do meio informático quando tratando com um usuário supostamente leigo, eles me bombardeiam com desculpas vazias, em vão.

Uma vez que atuo a mais de dois anos com o sistema em questão julgo-me capaz de auxiliar o técnico tão perdido como um naufrago em frente a este oceano de informações. Outro fracasso. Depois de conseguir fazê-lo compreender o impedimento que o sistema me insistia em impor ouço a resposta de que ele também não possui os poderes necessários para resolver de vez a situação. Teria tentado interrompê-lo, se não tivesse dito aquilo com tanta presteza:
"O senhor precisa abrir um novo chamado."

Pensei logo em chamar minha mãe, a Dinah para ver se algum santo poderia me resgatar desse abismo. Ao que parecia quanto mais meios eu empregava mais afundado no problema eu estava. Desisto de enfrentá-lo frente a frente, resolvi contorna-lo escrevendo esse artigo.

O problema da promessa áurea de resolver tudo imediatamente se perdeu em um mar de burocracias sem sentido algum, o meio reagiu ao ímpeto imediatista do homem, utilizando outra face deste mesmo ser, a capacidade de adiar, muito conhecida por nós brasileiros. Alguns colegas me pediram calma, eles que me desculpem mas calma é o c@cete!

Sinto-me usurpado de meu posto por sustentar financeiramente e ser obrigado a precisar de serviços de técnicos e especialistas informáticos. Uma vez que já trabalhei no meio, tenho o conhecimento de como executar aquilo que preciso para concluir o que esperam de minhas 8 horas diárias, os fluxos burocráticos ignoram esse fato e me obrigam a recorrer a funcionários incompetentes, mal remunerados e que não fazem idéia do que seja uma obra art deco, perdidos em seu mundinho de silício onde no céu só se enxergam bytes, eles acabam esquecendo do motivo por que estão lá.

Logo no começo deste texto deixei bem claro o rótulo de ardil e
inescrupuloso para esse sistema, esclareço para conclusão que esses
adjetivos não se referem a ferramentas conhecidas por muitos de vocês. SAP, Windows, nenhum deles é culpado, a culpa vêm dos pais e tios delas que criam e sustentam seus filhos alienados, as pessoas por trás de tudo isso.

Onde está a ética nesse serviço? Esqueçam as linguagens que aprenderam na faculdade ou em cursos charlatonistas de certificações vazias. Por favor quando dirigirem-se a mim falem português! Nesse momento de pane tecnológica percebo o crescimento da frustração colocada diante de nós. Durante um bom tempo vou passar a guardar os "meus documentos" e guardá-los na gaveta. Se perder a chave é só arrombar.

Aiai, eu ainda morro disso!
Kaneda_EX
5:01 PM